Nome Científico: Aquila fasciata (Vieillot, 1822)

Nome Comum: Águia-de-bonelli, Águia-perdigueira

Classificação Científica:
Reino Animalia
Filo Chordata
Classe Aves
Ordem Accipitriformes
Família Accipitridae
Género Aquila
Espécie A. fasciata

Sinonímias: Aquila fasciatus, Hieraaetus fasciatus

Estatuto de Conservação: EN - Em Perigo

Trata-se de uma ave de rapina de médio-grande porte (atinge 65 cm de comprimento e 1,65 m de envergadura), que se caracteriza pelas largas asas. Os adultos apresentam uma plumagem castanho-escura, exibindo uma mancha branca na zona dorsal. As zonas peitoral e ventral são esbranquiçadas, contrastando com a plumagem mais escura das asas, sendo que o peito se encontra frequentemente pintalgado de penas castanhas. A cauda é direita, comprida e quadrada, de coloração castanho-acinzentada e com uma barra escura na zona terminal. Os juvenis são alaranjados na zona abdominal, assim como nas penas de cobertura infra-alares; as rémiges são cinzento-esbranquiçadas e riscadas, tal como as rectrizes. Não apresentam barra na zona terminal da cauda. Enquanto plana, a águia-de-bonelli mantém as asas rectas, sendo que os "dedos" não são tão evidentes como os da águia-real e da águia-imperial-ibérica, espécies de maiores dimensões.

A norte e no centro, ocorre nos vales encaixados de ribeiras e dos grandes rios, onde nidifica em escarpas ou outros afloramentos rochosos. A sul, ocorre em zonas mais florestadas, escolhendo as grandes árvores para nidificar (e.g. sobreiros de grande porte e eucaliptos). Em ambos os casos, utiliza as áreas mais abertas para caçar, tais como os montados, matagais, terrenos agro-pastoris, pastagens e pousios.

Em Portugal continental, apesar de rara, ocorre durante todo o ano. Tem uma distribuição muito localizada e dispersa, ao longo de todo o território nacional. Ocorre nas serras do sudoeste, parte do Alentejo, da Estremadura e das Beiras interiores e ainda Trás-os-Montes. As serras do sudoeste, assim como o Tejo e Douro internacionais, são as melhores zonas para a sua observação.

Onde se pode encontrar:

Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina
Parque Natural do Vale do Guadiana
Parque Natural da Serra de São Mamede





> Degradação/alteração dos habitats (e.g. arborizações desadequadas, incêndios, corte/morte de grandes sobreiros)
> Perturbação humana em zonas de nidificação
> Perseguição humana (e.g. abate ilegal, pilhagem/destruição dos ninhos, envenenamento voluntário e involuntário)
> Perigo de colisão/electrocussão em linhas aéreas de distribuição e transporte de energia
> Redução da disponibilidade trófica
> Mortalidade de juvenis por doenças infecciosas (e.g. tricomoníase)

Espécie prioritária para a conservação, listada no Anexo A-I (espécies de aves de interesse comunitário cuja conservação requer a designação de zonas de protecção especial) do Decreto-Lei nº 140/99, de 24 de Abril.

> Recuperação/conservação dos habitats (e.g. manutenção/valorização dos mosaicos agro-florestais)
> Ampliar as sanções legais para os prevaricadores em matéria de perseguição/abate de espécies protegidas
> Implementar um programa nacional de erradicação do uso de venenos nos meios rurais
> Condicionar o acesso ao trânsito automóvel e a actividades humanas em áreas importantes de nidificação, durante os períodos mais sensíveis
> Corrigir e sinalizar traçados e apoios da rede de distribuição e transporte de energia, assim como de parques eólicos em áreas sensíveis
> Desenvolver estudos relativos à tricomoníase e tratamento das crias infectadas
> Promoção de campanhas de sensibilização e educação ambiental para os caçadores, agricultores e o público em geral
> Estabelecer programas eficazes de monitorização da espécie, a nível nacional

Ligações Externas

Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal (2005)
Disponível no portal do ICNF

Plano Sectorial da Rede Natura 2000 - Fichas de caracterização ecológica e de gestão das espécies de Aves
Disponível no portal do ICNF

Previsão da distribuição da espécie no futuro
Iberia Change | Biodiversidade e Alterações Climáticas na Península Ibérica: Mapa da espécie

Portal "Aves de Portugal"
Onde observar:

Ecologia e demografia de uma população de águia de Bonelli Aquila Fasciata em meio florestal.
Palma (2008)

Microhabitat factors affecting nest site selection and breeding success of tree-nesting Bonelli's eagles (Aquila fasciata).
Ferreira (2011)

Understanding the taphonomic signature of Bonelli's Eagle (Aquila fasciata).
Lloverasa et al. (2014)

Valores de referência radiográficos para a silhueta cardíaca em águia-de-Bonelli (Aquila fasciata).
Lopes (2015)

Previsão do impacte das alterações climáticas sobre a área de distribuição potencial da Aquila fasciata na Península Ibérica, até ao ano de 2080 (clicar na imagem para ver em maior resolução).

O clima futuro foi caracterizado com base em três diferentes cenários de emissões (Araújo et al., 2012):
> o BAMBU tem como base a extrapolação das políticas europeias actuais para o futuro. Prevê a adopção de algumas medidas de mitigação das alterações climáticas.
> o GRAS pressupõe que a Europa incrementa a tendência de liberalização, desregularização e globalização dos mercados. Prevê a adaptação da sociedade às alterações do clima em detrimento da sua mitigação. As políticas de sustentabilidade são consideradas um sinónimo de crescimento económico.
> o SEDG pressupõe a integração de políticas ambientais, sociais, institucionais e económicas num contexto de sustentabilidade. É um cenário normativo que parte do pressuposto que as políticas são definidas com vista à obtenção de objectivos concretos.

Autor: MVBIO