Nome Científico: Elanus caeruleus (Desfontaines, 1789)

Nome Comum: Peneireiro-cinzento

Classificação Científica:
Reino Animalia
Filo Chordata
Classe Aves
Ordem Accipitriformes
Família Accipitridae
Género Elanus
Espécie E. caeruleus

Sinonímias: Falco caeruleus

Estatuto de Conservação: NT - Quase Ameaçado

Trata-se de uma rapina de pequeno porte, que atinge os 35 cm de comprimento e os 90 cm de envergadura. Destaca-se, essencialmente, pela sua plumagem muito clara e pela sua cabeça, grande e projectada, de onde sobressaem uns magníficos e grandes olhos de íris vermelha-escarlate, orlados de negro. A cabeça é branca, tal como o peito e a zona ventral. O bico é pequeno e negro na ponta. A zona dorsal é acinzentada, tal como as asas, nas quais se destacam as rémiges mais escuras, especialmente as primárias e secundárias, quase negras; as asas são compridas e pontiagudas. A cauda é branca e relativamente curta. Enquanto voa, tem o hábito de peneirar com as asas subidas (em V), durante a procura de presas. Os juvenis têm uma plumagem mais "suja", tendo o peito acastanhado.

Ocorre, sobretudo, nos montados de sobro e azinho (Quercus suber e Q. rotundifolia) sobre terrenos planos, com sob-coberto constituído, essencialmente, por culturas cerealíferas, pastagens e pousios. Também nidifica em montados mais densos, sempre que em mosaico com áreas mais abertas, como clareiras ou pastagens, onde possa caçar.

Em Portugal continental é comum, mas pouco abundante. Distribui-se, sobretudo, pelo interior do país, desde Trás-os-montes ao Alentejo. No entanto, é mais frequente ao longo de toda a região alentejana, ocorrendo com alguma regularidade também na Estremadura. No Algarve ocorre de forma muito localizada.

Onde se pode encontrar:

Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina
Reserva Natural do Estuário do Sado
Parque Natural do Vale do Guadiana






> Degradação/alteração dos habitats (e.g. regeneração e destruição dos montados, instalação de maciços florestais de produção ou o adensamento dos existentes)
> Intensificação da agricultura através de monoculturas cerealíferas e abandono da agricultura tradicional
> Perseguição humana (e.g. abate ilegal, pilhagem/destruição dos ninhos)
> Aumento da utilização de agroquímicos

Espécie listada no Anexo A-I (espécies de aves de interesse comunitário cuja conservação requer a designação de zonas de protecção especial) do Decreto-Lei nº 140/99, de 24 de Abril.

> Recuperação/conservação dos habitats (e.g. manter/melhorar as manchas de montado aberto já existentes, instalação de novos povoamentos autóctones com esta configuração, criar condições para a regeneração natural dos montados)
> Promover cerealicultura extensiva com rotação de culturas
> Ampliar as sanções legais para os prevaricadores em matéria de perseguição/abate de espécies protegidas
> Regulamentar o uso de pesticidas
> Promoção de campanhas de sensibilização e educação ambiental para os caçadores, agricultores e o público em geral
> Estabelecer programas eficazes de monitorização da espécie (avaliar as tendências na distribuição e tamanho da população)

Ligações Externas

Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal (2005)
Disponível no portal do ICNF

Plano Sectorial da Rede Natura 2000 - Fichas de caracterização e gestão das espécies de Mamíferos
Disponível no portal do ICNF

Previsão da distribuição da espécie no futuro
Iberia Change | Biodiversidade e Alterações Climáticas na Península Ibérica: Mapa da espécie

Portal "Aves de Portugal"
Onde observar:

Previsão do impacte das alterações climáticas sobre a área de distribuição potencial do Elanus caeruleus na Península Ibérica, até ao ano de 2080 (clicar na imagem para ver em maior resolução).

O clima futuro foi caracterizado com base em três diferentes cenários de emissões (Araújo et al., 2012):
> o BAMBU tem como base a extrapolação das políticas europeias actuais para o futuro. Prevê a adopção de algumas medidas de mitigação das alterações climáticas.
> o GRAS pressupõe que a Europa incrementa a tendência de liberalização, desregularização e globalização dos mercados. Prevê a adaptação da sociedade às alterações do clima em detrimento da sua mitigação. As políticas de sustentabilidade são consideradas um sinónimo de crescimento económico.
> o SEDG pressupõe a integração de políticas ambientais, sociais, institucionais e económicas num contexto de sustentabilidade. É um cenário normativo que parte do pressuposto que as políticas são definidas com vista à obtenção de objectivos concretos.

Autor: MVBIO