Nome Científico: Accipiter gentilis (Linnaeus, 1758)

Nome Comum: Açor

Classificação Científica:
Reino Animalia
Filo Chordata
Classe Aves
Ordem Accipitriformes
Família Accipitridae
Género Accipiter
Espécie A. gentilis

Sinonímias: Accipiter gentilis gentilis, Falco gentilis

Estatuto de Conservação: VU - Vunerável

Trata-se de uma rapina forte, que atinge os 65 cm de comprimento e os 160 cm de envergadura, no caso das fêmeas (maiores que os machos). A cabeça é relativamente pequena, quando comparada com o corpo. Os olhos são amarelos nos juvenis, evoluindo para tons alaranjados à medida que amadurecem, ficando vermelhos na idade adulta. Apresenta uma lista supraciliar branca, bem marcada. O bico é robusto e encurvado. Nos adultos, a plumagem dorsal é castanho-acinzentada (tonalidades mais azuladas nos machos e acinzentadas nas fêmeas). O peito e o abdómen são esbranquiçados e exibem um padrão de barras horizontais acinzentadas. As asas são robustas e arredondadas. As rémiges primárias são curtas e pontiagudas, sendo as terciárias mais longas. A cauda é comprida, apresentando rectrizes esbranquiçadas e espessas; as coberturas infracaudais são marcadamente brancas. As patas são amarelas e estão munidas de fortes e longas garras negras. Os juvenis apresentam um padrão de barras verticais no peito, sendo mais acastanhados no dorso. No que diz respeito à cor e ao padrão da plumagem, o açor é muito semelhante ao gavião-da-europa (Accipiter nisus), no entanto, distingue-se deste último pelas suas maiores dimensões, asas mais robustas e cauda mais comprida. Reproduz-se de Março a Junho, tendo uma postura de 2 a 3 ovos.

Ocorre, fundamentalmente, em áreas florestais densas, tais como florestas de pinheiro-bravo (Pinus pinaster), onde nidifica, mas também em bosques e eucaliptais. As áreas que ocupa formam, frequentemente, paisagens em mosaico constituídas por floresta, matos dispersos e áreas mais abertas (e.g. campos agrícolas).

Espécie residente em Portugal continental, distribuindo-se, praticamente, por todo o país. No entanto, ocorre com mais frequência e de uma forma mais contínua no norte e centro do território, privilegiando o litoral, em detrimento do interior. Ocorre também no sul, mas de uma forma bem mais dispersa. No geral, é mais facilmente avistado durante a Primavera, por altura das paradas nupciais.

Onde se pode encontrar:

Parque Nacional da Peneda-Gerês
Parque Natural de Montesinho






> Destruição/alteração do habitat (e.g. transformação das florestas de pinheiro-bravo em eucaliptais de curta rotação, desflorestação)
> Incêndios florestais
> Perturbação e destruição dos ninhos (roubo de crias)
> Caça

> Recuperação e conservação do habitat (e.g. protecção dos bosques autóctones de carvalho, dinamizar a reflorestação com folhosas autóctones)
> Políticas de gestão florestal e de reordenamento do território (e.g. promoção de espaços florestais diversificados)
> Prevenção de incêndios
> Campanhas de sensibilização e educação ambiental

Ligações Externas

Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal (2005)
Disponível no portal do ICNF

Previsão da distribuição da espécie no futuro
Iberia Change | Biodiversidade e Alterações Climáticas na Península Ibérica: Mapa da espécie

MITRA nature | ICAAM - Universidade de Évora
Biodiversidade da Herdade da Mitra

Portal "Aves de Portugal"
Onde observar:

Previsão do impacte das alterações climáticas sobre a área de distribuição potencial do Accipiter gentilis na Península Ibérica, até ao ano de 2080 (clicar na imagem para ver em maior resolução).

O clima futuro foi caracterizado com base em três diferentes cenários de emissões (Araújo et al., 2012):
> o BAMBU tem como base a extrapolação das políticas europeias actuais para o futuro. Prevê a adopção de algumas medidas de mitigação das alterações climáticas.
> o GRAS pressupõe que a Europa incrementa a tendência de liberalização, desregularização e globalização dos mercados. Prevê a adaptação da sociedade às alterações do clima em detrimento da sua mitigação. As políticas de sustentabilidade são consideradas um sinónimo de crescimento económico.
> o SEDG pressupõe a integração de políticas ambientais, sociais, institucionais e económicas num contexto de sustentabilidade. É um cenário normativo que parte do pressuposto que as políticas são definidas com vista à obtenção de objectivos concretos.

Autor: MVBIO